Como afirmado em artigo anterior, os bispos brasileiros puderam participar, durante o Concílio, de inúmeras redes de relações que lhe possibilitaram contato com a mais elevada escola teológica e com prelados de todo o mundo. O Concílio significou uma riqueza teológica, pastoral e cultural inigualável. A experiência acumulada durante o Vaticano II produziu efeitos importantes em nosso episcopado e em toda a Igreja do Brasil.
Entre as redes de relações, encontrava-se o grupo conhecido como “Igreja dos Pobres”. Constituía-se de um grupo de bispos, inclusive alguns brasileiros, comprometidos com questões sociais e dispostos à vida despojada. Como resultado deste grupo, temos o “Pacto das Catacumbas” (cf. artigo) celebrado por aproximadamente 40 Padres Conciliares.
Grande importância desempenhou “O Ecumênico”, como era chamado por Dom Helder. Consistia no grupo que reunia diversas Conferências Episcopais e outros organismos, contando com a liderança do cardeal Leo Suenens de Malinas-Bruxelas (Bélgica) e com o apoio de secretaria da Conferência Episcopal francesa. Este grupo também se intitulava “Conferência dos 22” devido ao número de organismos envolvidos. Ninguém falava em seu nome durante o Concílio. Influía indiretamente no debate conciliar por meio de informações e orientações transmitidas aos padres conciliares. Segundo Raimundo Caramuru de Barros ― assessor da CNBB durante o Concílio ―, o grupo teria começado depois de uma conversa entre Dom Manuel Larraín e Dom Helder Câmara às vésperas do Concilio, na qual Dom Larraín dizia temer a possibilidade de um Concílio breve, consolidando as posições de Trento e Vaticano I. Desta conversa inicial teria nascido o grupo, coordenado por Suenens e contando com Helder como um de seus mais influentes articuladores.
Havia também o Coetus Internationalis Patrum, maior grupo de pressão da minoria conservadora conciliar. Contava com a presença dos três fundadores – o francês Marcel Lefebvre e os brasileiros Proença Sigaud e Castro Mayer – e aproximadamente 250 prelados. O grupo colocava objeções à Colegialidade Episcopal. Defendia o dogma da mediação de Nossa Senhora e a condenação do comunismo. Apresentava visão negativa em relação aos judeus e postura antiecumênica. Combatia o esquema sobre a Igreja no mundo contemporânea, recomendando sua completa rejeição. A radicalização de suas posições fez o grupo isolar-se no Concílio.
Acrescentam-se, ainda, as redes formadas por famílias religiosas, nacionalidades, línguas – bispos acolhidos nas casas de suas congregações – e pelos bispos ligados aos movimentos leigos – assistentes e ex-assistentes da Ação Católica. Além disso, cada bispo estabelecia inúmeros outros contatos, possibilitando diálogo, troca de experiências e aprofundamento dos temas discutidos no Concílio.
Pe. Ademilson Luiz Ferreira, mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) de Belo Horizonte/MG, é vigário paroquial de Santo Antônio, de Junqueirópolis
Email pe.ademilson@terra.com.br

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