quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O resgate do vital humano na “produção” ética e inculturada do instituído




Em meio às rápidas transformações de nossa sociedade, identificamos uma crise que é do humano. Ela é também identificada como uma crise ética por excelência. Os fenômenos desta crise, mesmo os aparentemente exteriores, nos atravessam por inteiro e profundamente; dizem, inclusive, quem somos neste momento da história. Esta crise apresenta traços nítidos em seus contornos, profundidade e extensão. Ela acabou criando um desequilíbrio das bases vitais do humano, atingindo suas raízes mais profundas, o seu próprio ethos. Face a ela, urge resgatar o vital humano. No resgate deste vital, identificamos vários elos sustentadores do humano presentes já na própria “produção do instituído”. Isto aponta, antes de tudo, para as nossas raízes mais profundas, o ethos, onde se dá a elaboração das “evidências primitivas”, como primeiro passo da elaboração das normas que regem a convivência humana. Identificamos, igualmente, momentos subseqüentes de explicitação do instituído, à medida que entra em cena a mediação da moral, do direito e da própria ética.
Prof. Dr. Frei Nilo Agostini

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

As pérolas da vida


A maior pérola da existência terrena é a pessoa humana, com suas reais condições de vida saudável e de dignidade. A isto se junta sua capacidade de decisão, de empenho e de discernimento para realizar aquilo que convém e que ajuda na sua real existência.

O discernimento, também entendido como escolha consciente e livre, é a capacidade de opção, fazendo investimento no que é bom, rejeitando tudo aquilo que é ruim e que prejudica a força da esperança contida no coração de todas as pessoas. É marca fundamental na pessoa humana a sabedoria nos julgamentos, na administração, na equidade e no bom senso. Importa ter um coração sábio e inteligente, porque ali reside a condição do pensar e do conhecimento do bem e do mal.

As atitudes de dureza de atos são prejudiciais para uma comunidade, seja ela qual for. A família pode ser a maior e primeira prejudicada, convivendo com práticas autoritárias, com mandos e desmandos de formas inconseqüentes. Toda prática autoritária acaba sendo corrupta e exploradora das pessoas.

Podemos dizer que a sabedoria divina é uma grande pérola, mas tem que ser bem usada, sabendo discernir com precisão o que é bom e o que é mal na comunidade. As pérolas são tesouros como sinais de vida. No dizer dos provérbios: "Feliz o homem que encontrou a sabedoria..., mais feliz ainda é quem a retém" (Pr 3, 13-18). É como encontrar ouro, prata e objetos preciosos. Jesus fala do Reino como pérola a ser procurada. A sociedade atual tem de tudo, mas nem tudo faz bem para o ser humano. É necessário distinguir o que serve para ajudar o homem e a mulher na sua dignidade, no ser imagem e semelhança de Deus.

A maior pérola é a filiação divina do ser humano. Enfim, a vida humana, como maior pérola na história, é uma conquista diária, com lutas e enfrentamentos a todo instante. E não é fácil fazer o bem no meio de tantas propostas oferecidas pela cultura do mal e da violência ao ser humano.

Dom Paulo Mendes Peixoto Bispo de São José do Rio Preto – SP
www.cleofas.com.br

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O SACERDOTE DEVE ENCARNAR OS TRÊS “M”, SER MISSIONÁRIO, MEDIADOR E MÁRTIR



Para o arcebispo Savio Hon Tai-Fai, o sacerdote deve encarnar os três “M”, sendo missionário, mediador e mártir. O secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos fez esta reflexão no último sábado, ao presidir a ordenação sacerdotal de um frade franciscano na basílica romana de Santa Maria de Aracoeli. Dirigindo-se ao ordenando, Frei Mauro Zannin, O.F.M. nascido na Suíça, o prelado comentou o Evangelho do 15º domingo do Tempo Comum, que conta a parábola do semeador (Mt 13, 1-23). Entre seus discípulos, “Ele quis escolher alguns em particular, para que, exercitando publicamente, na Igreja e em seu nome, o ofício sacerdotal a favor de todos os homens, continuassem sua missão de mestre, sacerdote e pastor”. Neste contexto, indicou o secretário do dicastério vaticano, “ser missionário significa ser enviado pelo Pai para amar”. O sacerdote, prosseguiu, deve ser também mediador, como indicou o Papa Bento XVI, definindo o presbítero como “mediador entre Deus e os homens”. Se na vida terrena “não faltam os sofrimentos e as provações, (…) o crente – e sobretudo o sacerdote – deve saber ter esperança e perseverança na glória futura”. O terceiro “M” do sacerdote é o que evoca o martírio, declarou Dom Hon Tai-Fai, no dia em que a Igreja celebrava a festa dos 120 mártires chineses beatificados em vários grupos entre 1746 e 1951 e canonizados pelo Papa João Paulo II em 1º de outubro de 2000. “O Evangelho – comentou o prelado, referindo-se ainda à passagem do semeador – fala do terreno bom para acolher a Palavra. O sangue dos mártires fecunda o terreno para a Palavra. Jesus Cristo é a Palavra definitiva e eficaz que saiu do Pai e voltou a Ele, cumprindo perfeitamente sua vontade no mundo. O semeador que leva a palavra se converte na própria Palavra.” Para isso, o arcebispo exortou o ordenando a ser “testemunha de Cristo, para que, com a palavra e o exemplo, possa construir a Igreja e ser o perfume de Cristo em seus ensinamentos, em sua alegria e em seu apoio aos fiéis”. “Siga o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir”, convidou. O prelado concluiu citando uma oração de São Tomás, “porque está cheia do espírito de São Francisco”: “Meu Deus, não te esqueças de mim quando eu me esqueço de ti. Não me abandones, Senhor, quando eu te abandono. Não te afastes de mim quando eu me afasto de Ti. Se fujo de Ti, chama-me; se me resisto a ti, atrai-me; se caio, levanta-me”. “Concede-me, eu te peço, uma vontade que te busque, uma sabedoria que te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que te espere com confiança e uma confiança que, no final, chegue a possuir-te.”

fonte:alphaeomega.org.br.apud.zenit. acessado 13/07

terça-feira, 5 de julho de 2011

Basílio Magno e a Divindade do Espírito Santo

Pe. Ademilson Luiz Ferreira, membro do presbitério de Marília, atualmente está cursando Mestrado em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) de Belo Horizonte/MG (onde reside).

E-mail: pe.ademilson@terr

http://diocesedemarilia.org.br

“Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

A afirmação do Símbolo Niceno-Constantinopolitano é herança direta de São Basílio Magno (329-379), bispo de Cesaréia (370-379).

Basílio viveu na “idade de ouro” da patrística, fértil período na história da Igreja e na difusão do cristianismo. Grande pai e doutor da Igreja, empenhou sua vida na defesa da fé cristã, reforma da liturgia, edificação da vida monástica, além do cuidado dos pobres. Combateu os “arianos” e “pneumatômacos”, hereges que negavam a divindade de Jesus e do Espírito Santo. Para estes, tanto o Filho como o Espírito seriam “criaturas”.

Em sua obra “Tratado sobre o Espírito Santo”, Basílio afirma a igualdade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo e o faz através de dois argumentos:

a. A tradição batismal. Para Basílio, a profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo é extraída da tradição batismal. “Devemos crer segundo a maneira como fomos batizados” e “glorificar conforme a nossa fé”. O Espírito é associado ao Senhor (Cristo) e ao Pai no Batismo.

b. A doxologia. A maneira como louvamos revela a identidade de Deus. A doxologia (o louvor) revela a ortodoxia (a correta doutrina). Enquanto alguns se limitam a glorificar ao Pai, pelo Filho no Espírito Santo, Basílio não teme em dar glória ao Pai,com o Filho e com o Espírito Santo. A glória é comum a cada uma das pessoas divinas.

Para Basílio, o Espírito é inseparável do Pai e do Filho e isto se expressa no batismo, na confissão de fé e na recitação da doxologia. O Espírito não é “criatura” ou de “condição servil” e inferior ao Pai e ao Filho, ele é também Senhor, é divino por natureza.

Para falar das relações entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo, Basílio afirma que o Espírito é “co-enumerado”, “co-ordenado” e “co-glorificado”, ou seja, ele é nomeado com o Pai e o Filho, está na mesma ordem, no mesmo nível, nem abaixo nem acima das outras pessoas e “com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”. As três pessoas têm a mesma honra e dignidade. Quem recusa aceitar o Espírito compromete sua fé no Pai e no Filho.

Interessante notar que o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, cujo artigo referente ao Espírito devemos a Basílio, afirma que o Pai é Deus, o Filho é “Deus de Deus” (portanto também é Deus) e o Espírito é “Senhor que dá a vida” e não se afirma, ao menos textualmente, que “o Espírito Santo é Deus”. Como, portanto, podemos compreender a divindade do Espírito Santo a partir do Credo e da teologia de Basílio?

Basílio defende a “divindade do Espírito Santo” sem recorrer ao termo “consubstancial” - atribuído ao Filho e que gerou controvérsias por não estar na Escritura - e sem chamá-lo de Deus. O Espírito é “Senhor”, não servo nem criatura (“Senhor” ou “kyrios” pode ser considerado sinônimo de Deus – Jesus é Senhor). O Espírito “dá a vida”. O único “doador” da vida é Deus, portanto, o Espírito é Deus. Neste sentido, as palavras “Senhor” e doador da vida, atributos divinos predicados ao Espírito Santo advogam em favor de sua divindade. Além disso, este “Senhor que dá a vida” com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Não se pode adorar e glorificar a não ser a Deus.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bioética: uma ciência preocupada com a vida

Prof. Dr.Frei Nilo Agostin, OFM

A Bioética é uma ciência nova. Tem 40 anos. Ela teve início na década de 70 do século passado, quando se começou a ver que o avanço das tecnologias necessitava de um acompanhamento ético, sobretudo as biociências. Cunhou-se o termo bioética, justamente para que pudéssemos fazer com que as ciências relacionadas à vida, às biotecnologias, pudessem servir ao ser humano e ajudá-lo no seu processo de humanização. Hoje, o termo bioética abrange toda a preocupação voltada à vida, mas também alcançando os seres não vivos, numa visão abrangente da criação toda.
Há um pluralismo muito grande dentro da Bioética e o consenso está começando a se fazer. Por que tal pluralismo? Porque as mais diferentes ciências são interpeladas e começam a responder aos desafios da Bioética. Aparecem também profissionais os mais diversos, tendo que se pronunciar sobre questões de Bioética, seja do nascer, seja do morrer, seja das questões de saúde ou de engenharia genética, ou até ambientais. E por isso há uma diversidade de posições, quem nem sempre formam um real consenso.

fonte: http://www.franciscanos.org.br/nilo/artigos/2010/pdf/29_141010_bioetica.pdf acesso 17/06/2011



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Principais características da espiritualidade Inaciana


Santo Inácio, 1491-1556, grande mestre da vida espiritual, inaugura na Espanha, em pleno século XVI, uma nova escola de espiritualidade cristã, que se denomina como “Companhia de Jesus”.
Segundo Guibert, esmero jesuíta, os pontos fundamentais da espiritualidade inaciana são: “serviço por amor; serviço apostólico para a maior glória de Deus, na conformidade generosa com a vontade de Deus, na abnegação de todo amor próprio e de todo interesse pessoal, no seguimento de Cristo, chefe ardentemente amado: tal parece ser o fundo essencial da mensagem confiada por Deus a Inácio no curso dos favores místicos [...]”
Para Iglesias, os exercícios espirituais implicam a vida de Cristo e dos santos. Santo Inácio afirma que “assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais, também se chamam exercícios espirituais os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de si todas as afeições desordenadas”. O conceito “afeições desordenadas” sugere as aspirações que afastam o exercitante da Vontade de Deus e o levam ao afastamento Dele ou ao sentimento de prepotência.
Além do mais, Santo Inácio propõe quatro semanas para a realização dos EE em que o exercitante é quem realiza o retiro, ao passo que o acompanhante o acompanha na trajetória espiritual.
A partir da vivência dos EE, o exercitante prossegue sua experiência espiritual, principalmente, “na fidelidade aos movimentos do Espírito que guiarão no caminho do amor”. Vale mencionar que os EE permite com que cada um possa, de fato, encontrar-se consigo mesmo e, sobretudo, ordenar os afetos e perceber as moções do espírito: consolações e desolações. Essa sensibilidade instiga a melhor amar e servir ao Senhor, de maneira a se entregar a Ele para que as palavras e ações correspondam à Vontade Dele.










Pe. Nelson Brechó
Vigário Paroquial da Catedral Sant'ana
Botucatu/SP

terça-feira, 9 de março de 2010

Campanha da Fraternidade 2010. Tema: Economia e Vida. Lema: Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. (Mateus 6.24)


Neste ano, a C.F. será ecumênica, com a participação do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs). A CNBB e o Conic, tentarão sensibilizar o governo, as autoridades públicas e os mais ricos, para a situação vivida pela maioria dos brasileiros que beira a miséria.
A busca desenfreada pelo lucro, a falta de sabedoria de nossos governantes, o apego aos bens materiais, desencadeiam poluição, esgotamento de filões encontrados na natureza,fim da água potável, entre tantos outros males.
Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou a chamar Deus de nosso PAI, que ama a todos sem distinção. Infelizmente muitas pessoas não conseguem enxergar nos outros a Face de Cristo. É preciso mais oração, pedir que o Espírito Santo conceda Sabedoria a todos que governam, que dirigem empresas, secretarias, ministérios, etc. Combater o bom combate, guardar a fé, viver nosso batismo, em nome de Jesus, em poucos anos, mudaremos esta triste realidade brasileira.
No Evangelho de São Mateus, capítulo 25 fala da partilha: “estive com fome, me deste de comer.” Que cada cristão brasileiro possa viver esse ensinamento e amar sem medidas e talvez um dia, se Deus quiser, possamos dizer, com o meu pouco melhorei a vida do meu irmão.
Fraternidade: SIM. Avareza: NÃO.
Pela intercessão da Virgem Maria, DEUS os abençoe.

Fraternalmente, Diácono Permanente, Farid Said Uebe.
Paróquia N.S. Bom Sucesso. Paranapanema
Diocese de Itapetininga (SP).